





SOBERBA. «Alguém que não acredita em milagres não é um realista.» BILLY WILDER
PREGUIÇA. «'Instinto' é uma manobra de marketing a tentar fazer-se passar por um filme.» ENTERTAINMENT WEEKLY
IRA. «Mesmo um relógio avariado está certo duas vezes por dia.» TED CRAWFORD (Anthony Hopkins)
RUPTURA
AVAREZA. «A proximidade de certos climas e situações retratados ao longo da viagem tem reminiscências em histórias conhecidas e queridas, se converteram num relato autobiográfico.» PABLO TRAPERO, Realizador



IRA. «Nunca irei fazer um 'Pulp Fiction 2'. Mas agora que digo isto, acho que poderia muito bem fazer outros filmes com aquelas personagens.» QUENTIN TARANTINO
LUXÚRIA. «D.H. Lawrence disse que tentou mostrar a sexualidade como algo que não era vergonhoso, mas a coisa mais natural do mundo. Eu tentei transmitir isso no filme.» PASCALE FERRAN, realizadora
GULA. «É altura de ir salvar a minha família!» HOMER SIMPSON
INVEJA. «- Sabes inglês, Antoine? - Estou a aprender dos discos, mas não é fácil...» Diálogo de BEIJOS ROUBADOS (1968)



SOBERBA. Já se respira Verão há mais tempo do que nunca e a vontade de ir ao cinema cresce com o calor. Mas por que será que ainda não vi (nem pouco mais ou menos) tudo o que queria? E ainda para mais estamos numa época em que as estreias se fazem a meio gás. E OS SIMPSONS estão aí a bater à porta... Aqui ficam cinco sugestões para ver nas salas.- DEAR WENDY: Escrita por Lars Von Trier (que anda deprimido), esta sátira à obsessão dos americanos pelas armas parece arrojada mas dá o tiro ao lado, segundo algumas críticas.
- OS INIMIGOS DO IMPÉRIO: Nova aventura carregada de exotismo oriental que, caso a intriga palaciana seja bem fraquinha, as coreografias e jogos cénicos prometem impressionar.
- NO MUNDO DAS MULHERES: Comédia romântica sobre um rapaz a tentar recuperar de desilusão amorosa, parece que é mais convincente devido ao regresso de Meg Ryan.
- TAXIDERMIA: O único filme que já vi desta lista. Bizarra metáfora existencialista, que procura penetrar na carne para fazer ver o seu ponto de vista. Esforço 'indy' do ano, difícil de esquecer.
- HARRY POTTER E A ORDEM DE FÉNIX: Alguém ainda tem paciência para o jovem feiticeiro? As bilheteiras dizem que sim e eu tenho mais curiosidade em ver Ralph Fiennes a parecer marimbar-se enquanto vilão.
GULA. «Não posso dizer que é uma loja de cinema 'underground' porque tenho aqui coisas conhecidas de todos, mas é pelo menos mais cuidada» VASCO T. MENEZESNuma parede, Alfred Hitchcock retoma a pose de prestígio com uma gaivota e um corvo nos ombros para nos recordar o medo de OS PÁSSAROS; na outra, Woody Allen revela o seu ar inconformado por debaixo de um chapéu de chuva num pequeno postal a preto-e-branco; ao centro, está uma colecção de posters que recordam James Dean em FÚRIA DE VIVER, Jacques Tati em AS FÉRIAS DO SR. HULOT ou o casal animado do recente êxito de Tim Burton, A NOIVA CADÁVER. Se dúvidas restassem, assim que se entra no número 4 da Avenida Sacadura Cabral (junto à Avenida de Roma), em Lisboa, é a ficção que toma conta do espaço, ou melhor, o cinema revela-se para lá do grande ecrã sob a forma de DVD, postais, livros, porta-chaves, T-shirts e até tapetes para o rato do computador. É este o «argumento» da loja Cinecittà: uma pequena área comercial mas uma grande ideia para os cinéfilos inveterados. «É a loja de cinema que eu gostaria de frequentar, tendo em conta que antes de a abrir não havia nenhuma do género em Lisboa», refere Vasco T. Menezes, ex-crítico de cinema do jornal Público e o grande mentor do espaço que abriu portas em Abril de 2005. Agora, quase um ano depois, a Cinecittà já possui site oficial (www.cine-citta.net), fidelizou um pequeno grupo de clientes, mas ainda se confronta com falta de divulgação e uma área pequena para as ideias de quem a dirige: «Gostava de ter um espaço mais alargado, com uma zona de café e bar que permitisse a conversa e não tornasse a Cinecittà num mero local de compra», acrescenta Vasco T. Menezes. Um olhar rápido pelas prateleiras dos DVD permite concluir que são as edições de luxo, importadas segundo uma lista criteriosa de fornecedores, que predominam e definem o ambiente para quem entra pela primeira vez: a oferta (com preços um pouco mais elevados que o normal devido a custos de importação e a edições raras) passa por obras desconhecidas de realizadores como Wes Anderson (BOTTLE ROCKET) ou Richard Linklater (DAZED AND CONFUSED), clássicos como MEAN STREETS de Martin Scorsese (numa edição com depoimentos do realizador e documentário), filmes de terror, cinematografia oriental e êxitos europeus de Visconti ou Chabrol. «Existem pontos de contacto entre a Cinecittà e outras lojas, mas esta é mais virada para um nicho. Não posso dizer que é uma loja de cinema underground porque tenho aqui coisas conhecidas de todos, mas é pelo menos mais cuidada», sublinha o jovem proprietário, para realçar «que a oferta tem a ver com os meus gostos, mas não é uma loja para o meu umbigo». Há ainda uma secção de compra e venda de DVD e uma livraria um pouco escondida com obras sobre tendências e estilos cinematográficos, listas de prémios ou centradas em ícones como Marilyn Monroe. E é ainda possível adquirir números antigos da revista «Écran». O segredo da Cinecittà é o de «possibilitar novas formas de relacionamento com as componentes gráficas e lúdicas» do cinema. Algo que pode ir de uma obra raríssima do artista Andy Warhol (editada pela distribuidora italiana RareVideo) ou uma camisola com uma estampa dos lábios carnudos que simbolizam THE ROCK HORROR PICTURE SHOW.