SOBERBA. É oficial: estou de férias. E vou para longe daqui. A imagem pode lembrar os ambientes western de um qualquer clássico americano, mas é o Pantanal brasileiro. É para lá que vou e é por isso que faço um intervalo nos filmes. Estou com sede de descoberta, supresa, realidade. E esta é sempre mais poderosa do que a ficção.
31 de agosto de 2007
Férias para longe daqui
SOBERBA. É oficial: estou de férias. E vou para longe daqui. A imagem pode lembrar os ambientes western de um qualquer clássico americano, mas é o Pantanal brasileiro. É para lá que vou e é por isso que faço um intervalo nos filmes. Estou com sede de descoberta, supresa, realidade. E esta é sempre mais poderosa do que a ficção.
30 de agosto de 2007
Prado Coelho vai lembrar-me Woody Allen
INVEJA. «EPC era um pensador no sentido que me é mais querido: demasiado superficial para muitos dos seus colegas universitários (que lhe apontavam a falta de 'obra') e demasiado intelectual para muitos dos seus leitores de jornal (que o acusavam de excesso de academismo).» JOÃO MIGUEL TAVARES in Diário de NotíciasNeste Verão que já se revelou demasiado gélido para a cultura mundial (as mortes de Bergman e Antonioni assim o comprovam), eis que um dos vultos mais respeitados e criticados da cultura nacional conhece um fim. O que é mais estranho nisto tudo é que eu também o conheci, superficialmente é certo, na relação distante entre professor-aluno de uma turma de cem alunos ainda confusos sobre o que querem do futuro. Porém, Eduardo Prado Coelho tinha o dom de parecer o velho amigo lá de casa, o tio culto que aprecia frivolidades, o intelectual que gosta de se aproximar do senso comum. As suas aulas de Cultura Contemporânea foram das mais livres e espontâneas que tive em todo o curso, porque Prado Coelho dava-as em jeito de conversa, testemunho intimista ou pedagogia dissimulada pelo conforto das palavras. E é assim que o recordo: de alguém muito conhecedor, mas também muito afável, bem disposto e nada hermético. No final da cadeira, o exame era um trabalho de tema livre para explorar, em jeito de recensão. E eu, claro, com o bichinho do cinema já a fazer-me cócegas pelo corpo, tinha de desembocar em Woody Allen. E escolhi uma das minhas obras preferidas que, sem o saber, colavam na perfeição com o rasto que EPC deixa em todos nós: AS FACES DE HARRY. Para quem sabe de que filme se trata é a história cómica de um escritor que se vê confrontado (literalmente) com as personagens dos seus livros - que são abstracções da sua experiência. Como se sabe, EPC vivia para os livros e também terminava sempre uma conversa a recordar um excerto de um romance, a citação de um ensaio sobre o estruturalismo ou a mera crónica encontrada no jornal lido durante a manhã. É isso que recordo de EPC: a palavra. E o seu confronto com ela. Talvez um dia publique aqui a minha dissertação sobre AS FACES DE HARRY, dado que a conservo comigo. Ou talvez não. O que sei é que sempre que pensar em EPC me vou lembrar de Woody Allen e das suas neuroses literárias. A cultura nacional está mais pobre. Intelectualmente, mas também em emoção.
28 de agosto de 2007
OS MEUS POSTERS: Queres Ser John Malkovich?
26 de agosto de 2007
CINEFILIA: Os pinguins estão na moda




INVEJA. Estamos nos últimos dias de «silly season», é certo - apesar de ainda não ter tido as férias que ando a suspirar há meses (a seu tempo...). Por essa razão, o cinema de animação volta a lançar as suas maiores apostas. Ainda não vi «Ratatui», o último prodígio da Pixar que dizem ser imperdível, mas reparei na estreia discreta de DIA DE SURF. Uma animação com pinguins surfistas que confirma a minha teoria de que os pinguins estão na moda. Querem uma prova? Tudo bem, eu dou cinco...- DIA DE SURF: Esta animação perde em comparação com «Happy Feet» mas não por muito. Em jeito de falso documentário, o filme segue os passos de Cody, um pinguim que dá nas vistas com uma prancha. Divertido q.b.
- BATMAN REGRESSA: Já não é recente esta aventura negra de Tim Burton em que Michael Keaton era o homem-morcego e Michelle Pfeiffer a saudosa Catwoman. Porém, o responsável pelo salutar tom gélido do filme era Danny DeVito, o estranho vilão chamado justamente Pinguim.
- MADAGÁSCAR: O filme promete mais do que cumpre e, no meio desta saga de personagens de um Zoo em desespero com o habitat, quem sobressai é o grupo de pinguins que está sempre pronto para a acção. Na versão portuguesa, foram os Gato Fedorento que lhes deram voz. Boa escolha!
- HAPPY FEET: Novo regresso ao universo dos pinguins, em jeito de comédia musical. Tudo porque um pinguim, que não sabe cantar, aprende a seduzir através de um contagioso jogo de sapateado. O filme destronou «Carros» e levou o Óscar de Melhor Filme de Animação para casa.
- A MARCHA DOS PINGUINS: Belo documentário transformado em peça de ficção poética dado os diálogos inseridos para ilustrar o ciclo de vida da espécie do pinguim-imperador. O resultado final é tão enternecedor quanto inesquecível. Óscar de Melhor Documentário.
24 de agosto de 2007
QUIZ: O que têm em comum estes filmes?


Pela ausência de respostas ao passatempo anterior, das duas uma: ou os meus poucos leitores foram a banhos e não ligaram nenhuma ao desafio ou, finalmente, consegui criar uma combinação de imagens tão rebuscada que ninguém lá conseguiu chegar. E este? Será que alguém atinge a lógica por detrás destas três histórias?Solução do QUIZ anterior: nos três filmes, cantores pop/rock têm uma pequena participação.
1) PLENTY - UMA HISTÓRIA DE MULHER com Sting
2) O TERCEIRO PASSO com David Bowie
3) NOIVA PROCURA-SE com Mariah Carey
Os extremos tocam-se no cinema francês
AVAREZA. «Faço filmes para saber por que razão os faço. O desejo é o único motor.» CÉDRIC KAHNNa apresentação à imprensa francesa de SINAIS VERMELHOS, em 2004, houve quem lhe tenha feito a pergunta: afinal, como é que escolhe os seus filmes? Conhecido por evitar rótulos e tentar criar um equilíbrio na gestão dramática sem se afastar das faixas mais largas de público, Cédric Kahn foi sucinto na resposta: «Faço filmes para saber por que razão os faço.» O conceito, embora lacónico, é entendido melhor para quem vê de rajada as suas duas melhores obras que a Atalanta Filmes decidiu compilar num só DVD. O já referido «Sinais Vermelhos» e «O Tédio» (este último produzido por Paulo Branco) são antagónicos nas histórias que apresentam mas próximos no modo como filmam personagens em situações extremas e como deixam perceber que, acima de tudo, é o pulsar emocional que move esta promessa do novo cinema francês. Não só porque aglutina o virtuosismo da mais autoral obra europeia, como consegue criar um efeito viciante e sensual nas imagens que agencia com perícia (reflexo dos seus primeiros passos na montagem televisiva). Nem sempre muito razoáveis, mas sempre justificáveis. Algo que fortalece a ideia para um cinema que não tem outro objectivo além de ser testemunhado com intensidade. Em «Sinais Vermelhos», é a tradição dos policiais de Claude Chabrol e a envolvência clássica do suspense de Alfred Hitchcock que, imediatamente, vêm à memória assim que se assiste às primeiras coordenadas da acção: Antoine (um excelente Jean-Pierre Darroussin) e Helène (Carole Bouquet) decidem, numa noite de Verão, ir buscar os filhos à colónia de férias. O trânsito obriga a seguir pela estrada nacional e, à medida que Antoine se deixa dominar pelo álcool nas paragens que vai fazendo, a sua vida ganha tanto em expiação de comportamentos mal resolvidos quanto em complicações. Helène acaba por abandonar o carro e seguir viagem sozinha, só que a notícia de que um criminoso anda em fuga na região vem adensar uma estranha jornada nocturna, filmada em tempo real e com poucas rupturas cronológicas. Com «Sinais Vermelhos», Cédric Kahn testa as convenções do thriller e mascara-o de road movie intenso, com direito a um twist quando a acção nem sequer precisava dele para ser igualmente poderosa. Já com «O Tédio», a similitude nas deambulações do protagonista são um dos poucos pontos de contacto com a obra anterior, dado que o dilema de Martin (Charles Berling), professor de Filosofia que anda à procura de um sentido para a vida, se acentua assim que decide seguir o rasto de um misterioso pintor de nus femininos. Após a morte súbita deste, Martin envolve-se com a sua musa, Cecilia (a estreante Sophie Guillemin), uma jovem de apenas 17 anos que o transporta para uma rotina de puro desfrute carnal. Entre a pureza e a indiferença, ela torna-se uma obsessão que o leva a questionar as suas teorias afectivas. Brusco, «O Tédio» é a espaços vazio, mas consegue reforçar em cada cena as suas motivações dramáticas. Acima de tudo, é mais uma experiência-teste do cineasta. Como realizador de contrastes, Cédric Kahn tem, por isso, lutado contra ideias pré-concebidas até na elaboração da sua carreira – ao ponto da sua última obra (também já editada em DVD) ser a de um conto infantil delicodoce, «O Avião», em que um jovem crê que o seu brinquedo preferido contém a alma do pai falecido num inesperado acidente.
22 de agosto de 2007
NA SALA ESCURA: O monstro chegou à cidade
IRA. «Cada filme tem o seu género, e eu parto dos códigos de um género para acabar por destruí-lo, fugindo dele, porque o que me interessa realmente é falar da sociedade coreana.» BONG JOON-HO, RealizadorA tradição do cinema de monstros é tão velha quanto King Kong, isto para dizer que tem acompanhado desde sempre o cinema, evoluindo em verosimilhança e acção à medida que os efeitos especiais permitem testar novas fórmulas. Porém, é também um género pouco dado a histórias densas, de complexidade moral, dado que quase sempre o enredo é apenas um ténue e superficial suporte para fazer brilhar criaturas bizarras. Como se sabe, o cinema oriental é muito prolífico nos filmes de monstros, desde que Godzilla chegou à cidade em 1954, defrontando, a partir daí, os mais rebuscados vilões em dezenas de filmes de espírito «série B». No entanto, a ideia de que um filme de monstros é um mero rol de cenas de acção para exibir técnicas digitais de ponta, relegando uma boa história para segundo plano, tem excepções. E THE HOST - A CRIATURA é uma delas. Com origem na Coreia do Sul, o filme é um bálsamo de inventividade e de completa noção de até onde pode ir o bom espectáculo de terror. Ao contar, com ironia pouco subtil quanto à crítica da omnipotência norte-americana, o surgimento de um monstro criado a partir dos esgotos (e formado pela mistura de substâncias químicas deitadas para o rio), o realizador Bong Joon-Ho é simples e muitíssimo eficaz, oscilando as cenas de terror clássico com o rumo de uma família descoordenada e de poucos meios. O motor da história é simples: quando vem à superfície (numa impressionante sequência de acção vertiginosa), a criatura faz uma série de vítimas e leva consigo de volta para o esgoto uma criança adorável. Depois de receber um sinal de que ainda está viva, o pai da mesma reúne a família hóstil mas unida para seguir o rasto da menina e aniquilar a bizarra criatura, com um visual a lembrar o ser alienígena que atormentou Sigourney Weaver por quatro vezes. E é no retrato complexo dessa família que Joon-Ho vai concentrar energias e explorar ao máximo até que ponto a vontade permite alcançar objectivos. No meio, há muitos sustos, imagens coerentes da besta à procura de próximas vítimas, uma crítica à (falsa) obsessão das autoridades pela higiene e... um longo esgar mordaz perante as forças norte-americanas. No final, o que fica é uma imensa aventura, uma jornada louca e um novo retrato de resposta a Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos. E fica também um sinal de esperança: afinal ainda há filmes de monstros que conseguem surpreender sem desvirtuar o poder e o imaginário do cinema.
THE HOST - A CRIATURA
De Bong Joon-Ho (2006)
* * * *
Depois de uma passagem marcante pelo Fantasporto (recebeu prémio e tudo), este enorme sucesso da Coreia do Sul ganhou um passo firme nas salas de cinema nacionais. E ainda bem: a história é voraz e enérgica, a criatura é filmada com convicção e ataca em óptimas sequências de acção, a família desmembrada é deliciosamente afoita e... o final não vai ser o esperado. Ao condensar todas as emoções em quase duas horas, o filme é uma imensa montanha-russa, algo lacónica mas bastante funcional. Será que um filme de monstros pode ser um dos filmes do ano? Pode e THE HOST - A CRIATURA é-o certamente. Hollywood está atenta e, tão devoradora quanto a besta retratada, já comprou os direitos para realizar uma sequela. A surpresa, esssa, não será certamente a mesma. Obrigatório ver!
De Bong Joon-Ho (2006)
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Depois de uma passagem marcante pelo Fantasporto (recebeu prémio e tudo), este enorme sucesso da Coreia do Sul ganhou um passo firme nas salas de cinema nacionais. E ainda bem: a história é voraz e enérgica, a criatura é filmada com convicção e ataca em óptimas sequências de acção, a família desmembrada é deliciosamente afoita e... o final não vai ser o esperado. Ao condensar todas as emoções em quase duas horas, o filme é uma imensa montanha-russa, algo lacónica mas bastante funcional. Será que um filme de monstros pode ser um dos filmes do ano? Pode e THE HOST - A CRIATURA é-o certamente. Hollywood está atenta e, tão devoradora quanto a besta retratada, já comprou os direitos para realizar uma sequela. A surpresa, esssa, não será certamente a mesma. Obrigatório ver!
20 de agosto de 2007
O QUE AÍ VEM... Sweeney Todd
INVEJA. «Sempre gostei de personagens estranhas.» TIM BURTONSe há dupla que tem funcionado no cinema comercial é a que se criou entre Tim Burton e Johnny Depp. Cada vez que cineasta e actor se voltam a reunir uma promessa fica no ar: filme negro, quase gótico e... profundamente irónico. Logo depois da reconciliação de Burton com o cinema familiar em «Charlie e a Fábrica dos Chocolates», vamos ter de esperar ainda uns bons meses para vermos SWEENEY TODD, o musical macabro de Stephen Sondheim que parte do serial killer Benjamin Barker, já adaptado anteriormente para cinema e televisão. Porém, a visão curiosa de Tim Burton (alguém duvida de que ele é dos mais geniais realizadores contemporâneos?) será como nova e as peripécias do barbeiro de ímpetos nefastos tem tudo para triunfar a nível artístico. Pistas? As presenças de Helena Bonham Carter, Sasha Baron Cohen («Borat») e Alan Rickman no elenco e o rigor plástico do costume (a imagem de cima não parece retirada da animação «Noiva Cadáver»?). Agora é só esperar até 2008...
19 de agosto de 2007
OS MEUS POSTERS: Belleville Rendez-Vous
GULA. Enquanto ainda não consegui ver «Ratatui», o novo prodígio animado da Pixar, eis que regresso a um outro tipo de desenho, europeu, tradicional e deliciosamente poético. O francês BELLEVILLE RENDEZ-VOUS é um conto quase sem palavras, uma banda sonora vaudeville e uma história primorosa sobre a jornada de uma idosa em busca do seu neto ciclista.
16 de agosto de 2007
Elogio do Serviço Público
INVEJA. «Por detrás de um homem está sempre uma mulher. E logo atrás dela está a mulher dele!» GROUCHO MARXPor vezes, há que dar a mão à palmatória. Embora a programação cinéfila esteja muito afastada da RTP2 (quem gosta de cinema não esquece os saudosos ciclos «5 Noites 5 Filmes»), estes meses de Verão têm sido salvos na grelha dos quatro canais pela sessão dupla que a RTP2 exibe todos os sábados e que, em Agosto, inclui sempre um filme dos Irmãos Marx. Neste sentido, a aposta é certeira e, de vez em quando, lá parece que se vislumbram umas nuances de Serviço Público. Apesar do conceito ser ambíguo e demasiado abrangente, certamente que nele está incluído o humor físico de Groucho, Chico ou Harpo Marx. Por isso, atenção: no próximo sábado (dia 18), há que ver, a partir das 22.40, o memorável UM DIA NO CIRCO, em que as célebres personagens voltam a perverter tudo à volta graças ao aproveitamento do ambiente e das rotinas circences. Mas a RTP2 não fica por aqui: exibe logo de seguida, «A Rainha Margot», o bonito épico francês sobre a união entre a católica Rainha Margot (Isabelle Adjani) e o protestante Henri de Navarre (Daniel Auteuil) que, de tão política, vai gerar intrigas palacianas que culminam com a morte de milhares de protestantes. E assim fica completo mais um bom serão cinéfilo, quando apenas a RTP Memória parece ser cada vez mais o canal dos clássicos. Senhores directores de programas da RTP: vocês têm tratado minimamente bem o cinema comercial no canal 1, até «ousam» (e bem) exibir filmes antes do horário ingrato das 23.45, têm resistido e sabido gerir a nova febre das séries televisivas. Mas falta algo: um maior acompanhamento da multiplicidade de filmografias, apostar em documentários para cinema, recordar clássicos europeus e orientais. Sei que não se muda uma programação da noite para o dia. Mas certamente haverá muitos curiosos em ter um cinema que escape ao Jackie Chan, às comédias tipo «Beethoven» (que passaram tantas vezes que a fita deve estar gasta!) ou aos thrillers e filmes-catástrofe do costume. Ainda assim, registo o facto de terem dado uma ligeira reviravolta na programação para exibirem num sábado à noite (na RTP2) o clássico Blow Up, para recordar o cinema de Antonioni. Vocês às vezes até acertam!
14 de agosto de 2007
QUIZ: O que têm em comum estes filmes?


Com o comentário do «Inútil» vejo um progresso: acertou parcialmente no desafio anterior. Parcialmente! Por isso, volto a insistir no Quiz e a requintá-lo com um desafio ainda mais complicado. Os outros foram canja...Solução do QUIZ anterior: os protagonistas dos três filmes chamam-se John.
1) John Smith (Brad Pitt) em MR. E MRS. SMITH
2) John S. Bottombly (Henry Fonda) em O ESTRANGULADOR DE BOSTON
3) John Smith (Bruce Willis) em O ÚLTIMO A CAIR
NA SALA ESCURA: Quem dobrou os Simpsons?
INVEJA. «Não acredito que estou a pagar algo que podia ver de graça na televisão!» HOMER SIMPSON sobre o «Hitchy and Scratchy Movie» que inicia o filme.Quem ousou fazer uma dobragem da primeira longa-metragem dos Simpsons? Desculpem-me entrar logo assim a matar, mas é que fiquei estarrecido quando vi Homer Simpson a falar em português no trailer deste filme que... não é para crianças. Repito: Não é para crianças!! Quem ainda hoje confunde a animação de Matt Groening com os filmes animados da Pixar e afins é porque nunca perdeu mais do que cinco minutos a ver um episódio de uma das mais importantes séries animadas de todos os tempos. Ela que até já fez 18 anos de exibição!! As crianças que vão ao engano devem ignorar muita coisa, mas se há algo que define Springfield e os seus idiossincráticos habitantes é que eles são politicamente incorrectos. É por isso que se vê no filme Bart a embebedar-se, Homer a fazer uma alusão à masturbação ou haver algumas referências a armas de destruição maciça. As piadas fazem sentido no cômputo geral do filme, mas ver crianças na plateia a rirem-se sem perceberem 80% do que se lhes passa à frente no ecrã revolta. Fora isso, o filme dirigido por David Silverman é um bálsamo, um último esforço para revitalizar a série e actualizá-la, mostrar o que vale junto do público. O que é certo é que a animação (tradicional, sim, ou não fosse essa uma imagem forte da saga) é um dos maiores sucessos do Verão e não desvirtua nem um pouco o sentido original da série televisiva. Os Simpsons é mesmo aquele divertimento que nos acompanha há anos e anos e que não queremos que acabe nunca. Pelo que, dado o sucesso artístico e de bilheteira deste filme, só resta uma pergunta: no meio de tanta sequela desinteressante, para quando a continuação dos Simpsons no grande ecrã?
OS SIMPSONS - O FILMEDe David Silverman (2007)
* * * *
Já não era sem tempo. Se este filme tem um defeito é por que é que nunca tinha sido feito antes. Senão vejamos: a história da cidade de Springfield à beira do colapso ambiental é arrojada, as personagens não se descolam do que conhecemos na série, o filme homenageia os trejeitos de todas elas (só é pena não ter explorado mais o cinismo de Mr. Burns...), as piadas sucedem-se a um ritmo e com uma relevância difícil de encontrar no grande ecrã e... o tempo passa a correr. Com tudo no sítio certo e uma trama semi-apocalíptica (não é nesse clima que vivemos hoje em dia, assim que se abre a página de um jornal?), o filme é já um marco e, certamente, um dos filmes de 2007. Matt Groening sabe o que faz. Ou não estivesse a sua série há 18 anos com exibição ininterrupta.
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