12 de agosto de 2007

OS MEUS POSTERS: Paris, Texas

GULA. Sobre Wim Wenders eis que recordo um singelo poster que reflecte a melhor obra da sua carreira. A sobreposição de imagens confere autenticidade a PARIS, TEXAS, sobre um homem à procura de coordenadas da mulher que ama. Ela é uma bela e também perdida Nasstasja Kinski e a cena da cabine do clube nocturno é das coisas mais tocantes que já vi.

11 de agosto de 2007

Ganhar asas num trapézio

SOBERBA. «Deixa-te estar sozinho! Deixa as coisas acontecerem. Mantém-te sério! Olha mais do que uma vez! Mantém o teu espírito. Mantém a distância. Mantém a palavra!» CASSIEL (Otto Sander) em «As Asas do Desejo»

A imagem é do clássico de Wim Wenders AS ASAS DO DESEJO, mas não é sobre este maravilhoso filme que quero centrar o meu texto. Ou melhor, parto dele para chegar a uma outra experiência, sentida na pele há dois dias. Decidi ir ver o espectáculo de circo aéreo OLA KALA, do grupo francês Les Arts Sauts, em exibição numa tenda arredondada gigante, estrategicamente localizada no Centro Cultural de Belém. Se bem se recordam, no crepuscular filme de Wenders, um anjo desejava ser humano e, por entre simples reflexões sobre o prazer de ser humano, deixa-se deslumbrar por uma trapezista de sorriso plácido e cabelos encaracolados. No fundo, ele é um ser transcendente, ela é o elo realista da história. Pois bem: no espectáculo de novo circo a que assisti, são os trapezistas que parecem anjos, lá no alto, por entre uma bruma cénica, que levitam entre acrobacias mais intensas e místicas do que os banais números dos espectáculos circenses de Natal. O grande mérito de OLA KALA é fazer-nos acreditar de novo no poder ilusório, testar convenções espacio-temporais e assumir a extrema beleza que é testar as leis da gravidade como se fosse a coisa mais singela do mundo. Depois há a música, possante e incisiva, onde predominam as cordas e as ambiências rítmicas (neste espectáculo, até a banda levita... literalmente!), que ilustra e aprofunda os vários números que se sucedem sem pressa. Sem cair no niilismo sensível dos shows do grupo De La Guarda, este é um momento de novo circo (essencialmente, pensado) que incide sobre a estética do movimento aéreo, com diversas acrobacias relacionadas com o voo e com a queda... a 12 metros do chão. A produção do OLA KALA descreve-o na perfeição: «Os corpos substituem as palavras e formam uma linguagem própria que tem o trapézio como suporte.» Sim, aqui não é possível falar. O corpo deixa passar todas as emoções, dita o ritmo e gere um momento de suspensão da rotina. É também por este silêncio que me lembrei de AS ASAS DO DESEJO. Dos instantes de paixão entre o protagonista e a bela trapezista, sendo que ele a visitava diariamente ao pequeno circo onde actuava, deixando-se comover pela sua vulnerabilidade. E isso bastava.

PS - Apesar do espectáculo valer a pena, deixo um aviso: paguem os bilhetes com dinheiro se chegarem depois das 20h00. É que a bilheteira oficial fecha, todo o CCB fecha e... não há Multibanco ali nas redondezas (dá para acreditar!!!!????). Resultado: andar a passo apressado até aos Pastéis de Belém (!!) para levantar dinheiro e andar tudo de novo até ao recinto. Às vezes, parece que vivemos na província. Então quando se fala de cultura...

O QUE AÍ VEM... Indiana Jones IV

GULA. «Não faço de duplo. Só corro, salto e caio. Depois de 25 anos de carreira, sei exactamente o que faço.» HARRISON FORD

A imagem foi tirada no dia 21 de Junho e é a prova de que vai mesmo haver um novo capítulo da saga Indiana Jones. Há quem defenda que a trilogia bastava, mas Hollywood está mais atenta às sequelas e não poderia perder a oportunidade de actualizar o maior herói do cinema de aventuras das últimas décadas (não, Jack Sparrow, não chegaste lá...). Com rugas no rosto, ar cansado, Harrison Ford volta a vestir a pele do arquéologo e a encontrar-se com o par romântico do primeiro filme: a doce Karen Allen. De resto, que se sabe mais? Muito pouco. Apenas que será novamente dirigido por Spielberg, que chega aos cinemas para o ano e que a revelação Shia LaBeouf (o impetuoso protagonista de «Transformers» e «Paranóia») fará de seu filho - e, certamente, vai assegurar a continuação da saga no futuro, quando o Indiana Jones original sofrer da próstata e do reumático... Mais nomes do elenco (muito coeso por sinal)? Cate Blanchett, Jim Broadbent e John Hurt. A maior ausência é mesmo a de Sean Connery, como pai de Indy. Porquê? Porque o actor disse estar muito feliz a gozar a sua reforma. Resta saber se a aura de aventura se vai manter e se o público do século XXI ainda não esqueceu a personagem do chapéu e chicote.

QUIZ: O que têm em comum estes filmes?

Resposta certa e... rápida quanto ao Quiz anterior! Ainda não foi desta que consegui ficar sem resposta. Mas, pronto, sou insistente e estou confiante quanto a este desafio. Pista: não é fácil...

Solução do QUIZ anterior: As três actrizes venceram um Razzie de Pior Actriz.
1. SHARON STONE por O Especialista
2. DEMI MOORE por G.I. Jane
3. LIZA MINELLI por Arthur 2 - On the Rocks

10 de agosto de 2007

QUIZ: O que têm em comum estes filmes?

Sou persistente e vou refinando ainda mais a lógica por detrás do passatempo. Desde já aplaudo quem acertou no anterior... Mas este é bem mais complexo. Alguém acerta?

Solução do QUIZ anterior: Os três filmes contam com uma minúscula participação de Madonna.
1) FUMO AZUL
2) SOMBRAS E NEVOEIRO
3) 007 MORRE NOUTRO DIA

CINEFILIA: As cinco promessas de Agosto

SOBERBA. Depois de tentar criar roteiros semanais de sugestões, eis que a logística da manutenção deste espaço me pede uma reformulação, que seja menos exigente. Assim, no início de cada mês (desta vez um pouco já fora de tempo), deixo de antemão os cinco projectos mais estimulantes a terem direito a estreia nos cinemas. No final do mês, haverá uma surpresa... Esta nova estrutura não proibe que, esporadicamente, apareçam ciclos temáticos para recordar a obra de alguém - já o fiz com Bruce Willis ou Quentin Tarantino, por exemplo. Mas deixemo-nos de rodeios. Embora «silly season», Agosto ainda apresenta bons projectos que convém não perder:

- JYNDABYNE: Boa promessa do novo cinema americano independente, o filme é dirigido por Ray Lawrence, que nos ofereceu a supresa chamada «Lantana», já há uns anos. Aqui, o estilo intimista e assombroso prossegue, quando três amigos descobrem um corpo a flutuar no rio. Já estrou.

- O SABOR DA MELANCIA: Quem viu «Adeus, Dragon Inn» sabe o que esperar sobre este filme do realizador chinês Tian Bian Yi: tudo! Ao que parece, trata-se de uma singela história de amor e uma fábula que funde pop, sexo e melancias sobre uma jovem que descobre que o seu vizinho é actor de filmes para adultos.

- SICKO: Alguém ainda tem paciência para aturar os projectos panfletários de Michael Moore? Apesar das devidas distâncias eu tenho e é com curiosidade e muitos pés atrás que se aguarda a sua última denúncia (que até gerou polémica devido a uma passagem de Moore por Cuba), desta vez ao sistema de saúde norte-americano.

- RATATUI: Última animação da Pixar sobre um rato com dotes de culinária. Dizem que é um bom regresso ao humor para todas as idades, embora tenha decaído um pouco nas bilheteiras norte-americanas. A culpa? «Transformers», «Harry Potter V» e «Shrek 3».

- MUITO BEM, OBRIGADO: Insólito projecto francês, já chegou às salas nacionais. De contornos «kafkianos» assumidos, o filme narra uma espiral de acontecimentos absurdos depois de um homem se meter em problemas com a polícia. Soa bem, não é?

9 de agosto de 2007

Terror estilizado ou com estilo?

IRA. «Ela foi boa durante meses... até que perdeu mesmo a cabeça!» MICK TAYLOR (Josh Jarrat)
Já repararam que todos os meses estreia um filme de terror? Sem a mínima chama, é sempre aquele título que descarto na altura de saber o que vou querer ir ver. É preconceito, mas é também muita desilusão na sala escura. Clássicos, clássicos, só mesmo «O Exorcista» ou «O Projecto Blair Witch». O que se encontra depois são sucedâneos de sucedâneos, algo sem o mínimo cariz original. Como qualquer regra tem excepção, o último filme de meter medo que me lembro de assistir no cinema foi mesmo WOLF CREEK. Há aqui uma atmosfera densa e um fundamento verídico (será mesmo?) que recordam «O Massacre no Texas», uma estética visual alusiva a «O Projecto Blair Witch» e perseguições na auto-estrada próximas de «Um Assassino Pelas Costas». Será que no meio de tantas referências o filme de terror ainda consegue ter uma identidade? WOLF CREEK pode ser a resposta certa pela habilidade como controla (sem evitar) os chavões do filme de terror «série B» e é um dos raros casos que consegue superar a sua linha narrativa pouco estimulante, apostando essencialmente no registo emocional e na capacidade de nunca dispersar o efeito realista da história, capaz de levar o espectador a sentir-se «na pele» das vítimas. Rodado com pequenas câmaras digitais (para, mais uma vez, salientar a proximidade com os protagonistas), WOLF CREEK começa por relatar as semanas de férias de três amigos pelas planícies australianas. Pelo caminho, há uma expedição à terra que dá nome ao filme, apresentada como a região que contém a maior cratera da queda de um asteróide no mundo. Tudo parece correr pelo melhor (os sustos só começam mesmo com quase uma hora de acção já decorrida), até que o carro deixa de funcionar, os relógios param e o céu começa a ficar mais escuro nesta zona desértica, assim como as motivações desta primeira longa-metragem de Greg McLean… Adiantar mais seria trair os alicerces deste thriller psicológico que avança para territórios grotescos e nos apresenta um dos mais surpreendentes vilões dos últimos tempos – a surpresa anterior neste campo tinha sido, provavelmente, a criatura alada de «Jeepers Creepers». Porém, a figura de Mick Taylor (John Jarrat) convence pelo modo como capta o espírito de uma certa mentalidade australiana perdida no tempo, onde nem falta uma irresistível alusão a «Crocodilo Dundee». Mas nada de «luvas de pelica», porque WOLF CREEK é um conto de terror que não se retrai em chocar o espectador. E logo no início deixa-se o aviso: »Todos os anos desaparecem 30 mil pessoas na Austrália. Dez por cento delas nunca chegam a aparecer.» No final, «espremendo-se» o filme não sai sumo, mas uma enorme dose de hemoglobina.

4 de agosto de 2007

OS MEUS POSTERS: Jackie Brown

GULA. Graças a «À Prova de Morte», criei uma secção, dedicada ao potencial que os posters têm enquanto obras de arte e fonte de lembranças cinéfilas. O primeiro poster a entrar na galeria dos melhores posters de sempre (para mim) é o de JACKIE BROWN. Porquê? Porque revela a essência do filme numa imagem negra ou não fosse esta obra uma homenagem ao blaxploitation.

NA SALA ESCURA: Tarantino parte a loiça

IRA. «Lembras-te quando disse que este carro era à prova de morte?Bem, não estava a mentir. Este carro é 100% à prova de morte. Mas para o poder usufruir tens mesmo de estar sentada no meu lugar.» STUNTMAN MIKE (Kurt Russell)


Depois de ter derramado sangue a rodos, aproveitando pelo caminho para homenagear os filmes de samurais, o western ou a acção desregrada, eis que Quentin Tarantino volta a hesitar em trazer novo cinema dramaticamente responsável e cede à perversão, à homenagem a géneros esquecidos e desdenhados, à coolness. Na verdade, o realizador de «Cães Danados» continua a não querer ser levado a sério, ou melhor quer ser levado a sério explorando temas marginais e resgatando-os do esquecimento. Se a homenagem às sessões de cinema grindhouse é uma boa ideia, por outro lado fica a sensação que Tarantino é mesmo o espírito cinéfilo voraz e inconsequente que não consegue dar um passo em frente. Sou da opinião que o mais interessante e ousado realizador da sua geração se encontra num impasse: como criar uma obra genuinamente sua sem perder o espírito transgressor? Como tal, e perante a ausência de resposta, o realizador diverte-se a desmontar chavões de subgéneros relegando para depois (nunca?) uma investida mesmo séria num território verdadeiramente original, só seu. E isso nota-se neste novo À PROVA DE MORTE: o filme funciona muito bem para manter a mística do cineasta revisitador e desbragado, mas não avança um milímetro numa mudança, numa jogada mais arriscada dentro dos contornos da sua carreira de 15 anos. É diversão negra, novamente com conversas a oscilar entre o kitsch e a perversão deliciosa, sem esquecer as referências a marcas e acontecimentos que remetem, por exemplo, para o diálogo inicial de «Cães Danados» sobre Madonna ou o sentido das gorjetas. Sem querer ser um road movie, acaba por sê-lo, a lembrar a obra de estreia de Steven Spielberg («Duel») ou, levemente, um outro filme de Kurt Russell, embora este mais sério e realista, «Avaria no Asfalto». O que fica depois de À PROVA DE MORTE? Uma lembrança de que uma boa história nas mãos de Tarantino pode transformar-se em outra coisa qualquer e nunca se sabe que desenlace a história vai ser... Nada é esquemático, apesar do filme se reger no seu todo pelo estilo que quer convocar. E isso nota-se num dos seus pontos mais inventivos: as imperfeições intencionais da imagem, os planos sobrepostos, o grão na fita, o corte abrupto entre os planos. Como bom filme que respeita a aura «tarantinesca», traz para a colecção de personagens bizarras mas inesquecíveis - onde já estavam A Noiva, Mr. White ou Mr. Pink, Vincent Vega, entre outros - o Stuntman Mike, excelente reabilitação artística de Kurt Russell (que insiste em acumular obras de culto no currículo, muitas das quais por «culpa» de John Carpenter). Embora caloroso e assumidamente «série B», o filme só falha por seguir demasiado à risca aquilo que se espera de uma obra de Quentin Tarantino. Isso pode ser uma enorme qualidade, mas para um realizador tão ousado, não faltará um bocadinho de amadurecimento? É assim tão difícil escapar aos vícios do estilo de homenagem? O próprio Tarantino não se deve preocupar muito com a resposta.


À PROVA DE MORTE
De Quentin Tarantino (2007)

* * * *
Enquanto se aguarda com expectativa a segunda parte do projecto Grindhouse (pela mão do «amigo» Robert Rodríguez), Tarantino chegou primeiro e partiu a loiça toda. O seu filme quer prestar homenagem aos road movies marginais e convoca uma personagem bizarra que se assume como vilão para uma história que tem pouco para contar, além de explorar as suas personagens femininas, com diálogos dengosos, que se vão tornar em vítimas perfeitas nas garras de um vilão que é um imenso cromo. Muito cool e assumidamente ligeiro, o filme convence pela sua aura retro, pela banda sonora novamente espantosa, pelas inúmeras piscadelas de olho à cultura pop dos últimos anos e por um cinema de acção desregrado e inconsequente. Tarantino, quando é que cresces? No caminho, continuamos a ser «putos reguilas» contigo...

3 de agosto de 2007

QUIZ: O que têm em comum estes filmes?

Mais uma vez fui apanhado! Pelo comentário recebido no anterior Quiz (tu, João, estás sempre em cima do acontecimento...) começo a perceber que não é fácil despistar quem insiste em ler o SIN CINEMA. Mas não desisto. Alguém adivinha esta relação?

Solução do QUIZ anterior: Os três filmes contam com banda sonora de Bernard Herrman (o clássico dos clássicos em momentos de tensão e suspense).
1) TAXI DRIVER
2) MARNIE
3)FAHRENHEIT 451

O QUE AÍ VEM... Nue Proprieté

AVAREZA. «A representação é
uma maneira de viver a insanidade de outra pessoa.» ISABELLE HUPPERT
Nos últimos tempos Isabelle Huppert anda mais distante do cinema, mas ainda consegue manter o ritmo de rodagem de dois filmes por ano. Depois de «A Comédia do Poder», NUE PROPRIETÉ foi o que a actriz francesa interpretou também em 2006. Estranhamente, e depois de se estrear em festivais como o de Veneza, por cá tem estado esquecido e tarda a sua estreia no grande ecrã. Melodrama familiar (território onde a actriz costuma ser mais exímia do que a maioria), conta a história de uma mulher divorciada, que tem de lidar com os dois filhos adolescentes, depois de decidir vender a casa para comprar uma mansão com o amante. Ao estilo francês, o filme conta ainda com Jérémie Renier (que deu nas vistas no recente «A Criança»). Porém, tendo em conta que «Manderlay» de Lars Von Trier foi lançado directamente para DVD - numa benesse da FNAC - não é de estranhar que igual destino caiba a esta obra do estreante Joachin LaFosse. Sinal de um enfraquecimento da Atalanta Filmes - a distribuidora mais aceitável em matéria de cinema europeu? Esperemos que assim não seja.

1 de agosto de 2007

Antonioni: morreu o cineasta da angústia

AVAREZA. «Quando dirijo um filme, nuca penso sobre como quero filmar algo. Apenas o faço.» MICHELANGELO ANTONIONI

Deve ter sido a semana mais negra do cinema na última década e... ainda vamos só a caminho da quarta-feira. Hoje, acordei ainda mais pobre do que ontem com a notícia da morte de Michelangelo Antonioni. É certo que o cineasta de BLOW UP já tinha 94 anos, padecia de doença e estava inactivo. Mas era outra poderosa referência que há muito cristalizara nas minhas noções cinéfilas. Espero que Woody Allen, Clint Eastwood, Martin Scorsese, Pedro Almodóvar, Wong Kar-Wai e Kusturica estejam de boa saúde... É que para referências já bastam as perdas destes dois últimos dias. E que dizer de Antonioni? Que era um instigador de novidade visual, o cineasta da angústia, o arquitecto de uma arrojada temporalidade? Isso já se sabe. Que deixa uma obra onde sobressaem títulos como BLOW UP, ZABRISKIE POINT ou PROFISSÃO: REPÓRTER (ainda há uns meses reposta em sala de cinema), também. Então o que falta? Mais uma absoluta vénia a esta personificada instituição italiana, nome em letras maiúsculas de um certo tipo de cinema de autor, lento e anguloso, que nos ajuda a perceber que o cinema pode ser mais do que a linearidade de clichés e que é muito mais do que razão. Sim, o que o cinema de Antonioni nos mostra é o ímpeto do instinto. E o cinema está mais pobre...