Mostrar mensagens com a etiqueta O Maior Pecado de.... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Maior Pecado de.... Mostrar todas as mensagens

12 de março de 2010

O MAIOR PECADO DE... Mariah Carey

PREGUIÇA. "Heroicamente mau." EMPIRE
Diz-se que há uma maldição quando um cantor decide enveredar pela carreira cinematográfica. É certo que Jennifer Lopez nunca foi grande espingarda, que Madonna é sofrível e muitas vezes má, que Whitney Houston foi xaroposa antes de se render às drogas, que 50 Cent não tem jeitinho nenhum, que Ice Cube falha muito mais do que acerta, que David Bowie não faz falta nenhuma a 'Terceiro Passo', que Jon Bon Jovi é um canastrão quando tenta fazer de herói romântico. Uff.... Até que chegamos a Mariah Carey e, na sua estreia desastrada como protagonista de GLITTER - O BRILHO DE UMA ESTRELA, temos um redondo falhanço.

Sabe-se que a estrela da voz poderosa e das acrobacias vocais, admiradora assumida das saias curtas mesmo quando as formas não o permitem, é uma grande rival de Eminem, mas devia ter aprendido alguma coisa com o seu ódio de estimação: a sua estreia em "8 Mile", quando tudo apontava para o fiasco, foi um interessante auto-retrato, sapientemente elaborado por um realizador com créditos firmados, como é Curtis Hanson.

Pois bem, esta espécie de musical orienta-se por clichés de drama romântico sem chama, sem diálogos que se aproveitem e com Mariah a disfarçar como pode a sua incapacidade para representar. Para complicar tudo, há uma estética alusiva aos anos 80 que não funciona, personagens fúteis, uma busca para encontrar uma mãe que nunca devia ser encontrada e uma infantilização de sentimentos que não se coaduna com a mulher que é aquela que mais discos vendeu em toda a década de 90.

Não está em causa o seu talento como voz - os momentos mais felizes do filme estão na actuação de 'Reflections' e no tema que surge nos créditos finais, 'Lead the Way' -, mas está tudo o resto. O filme é piroso, desastrado, incapaz até para aprofundar uma história de amor, até porque o actor Max Beesley é tão mau ou pior do que Mariah a querer fazer-se passar por adolescente com dúvidas.

No fim, temos um fiasco de todo o tamanho, que custou caro à cantora, que sofreu um esgotamento por estas alturas e demorou um par de anos a recuperar o seu estatuto de diva das baladas. É certo que Mariah Carey tem o seu lugar na música pop, mas não tem de certeza um lugar no cinema. O filme "Precious" reabilitou-a e já está a fazê-la sonhar com voos mais altos (consta que a estrela gostava de entrar num filme de Woody Allen...), mas o peso do gigantesco flop que foi GLITTER demorará a desaparecer.

Se tudo já não fosse suficientemente pobre, eis que a data de estreia do filme acabou por ser mais um tiro ao lado: chegou aos cinemas a 11 de Setembro de 2001. Um azar nunca vem só!

Críticas de fugir:
- DALLAS MORNING NEWS:
Carey de certeza que sabe cantar, mas de certeza que não sabe representar;
- ABOUT.COM:
É quase fisicamente desconfortável assistir aos desempenhos de 'Glitter'.
- AUSTIN CHRONICLE:
É mesmo verdade?
- CNN:
Escapismo total sem um pingo de verdade.
- PALO ALTO WEEKLY:
Mariah Carey devia ter tirado aulas de representação com Mark Wahlberg. A primeira lição é: começa por pensar pequeno.

20 de maio de 2009

O MAIOR PECADO DE... Walter Salles












PREGUIÇA. «O estimado realizador brasileiro Walter Salles cai de frente na sua primeira saída por Hollywood com um filme de terror que aborrece até às lágrimas» COLESMITHEY.COM

Ninguém entende o que se terá passado pela cabeça de um dos mais inteligentes e criativos realizadores do novo cinema brasileiro. À primeira tentativa para impressionar Hollywood, um espalhanço de todo o tamanho. Houve até quem receasse que os créditos ganhos com obras tocantes como «Central do Brasil» ou «Diários de Motocicleta» pudessem ficar comprometidos.

Mas não: Walter Salles viu-se obrigado a repensar a carreira e regressou ao território seguro do Brasil de contrastes para produzir o valioso «Linha de Passe». O que se passou mal com ÁGUAS PASSADAS? Tudo, ou quase.

É certo que há uma tentativa por criar uma atmosfera de terror e há ainda o peso pesado que é Jennifer Connelly e os seus olhos claros. De resto, apenas uma nova versão de um filme de terror oriental, igual a tantos outros.

A moda de repescar obras negras asiáticas e dar-lhe um tom de Hollywood, raramente corre bem - OK, há uma excepção de peso: «Entre Inimigos» de Scorsese, mas isso só confirma a regra.

Uma mãe tenta refazer a sua vida depois de um divórcio. Mas há estranhos fenómenos a acontecer na nova casa... Pois, a premissa também não ajuda.

Sabe-se inclusivamente que o próprio Walter Salles não apreciou o resultado final e queixou-se que os produtores lhe adulteraram a montagem final. Pode até dar-se o benefício da dúvida. De resto, é apenas um filme que quer meter medo e não consegue.

Tem um bom tratamento de imagem, alguns planos inventivos, um elenco secundário que não compromete (John C. Reilly, Tim Roth, Pete Postlethwaite). Mas tem também uma vontade forçada de chegar ao seu término, que quer ser surpreendente, e muitos pontos fracos. A «retalhada» na montagem deve ter sido mesmo grande, porque não se vislumbra o dedo criativo do realizador brasileiro...

Críticas de fugir:
- JOÃO LOPES:
A estrutura vai-se decompondo em fáceis mecanismos de «suspense», como se se tratasse apenas de «adiar», por qualquer preço, o desenlace.
- MTV: ÁGUAS PASSADAS afunda-se no peso da sua até cómica previsibilidade.
- BBC: É um falhanço enquanto filme de terror.
- VILLAGE VOICE: Falha na tentativa de criar o efeito-surpresa do twist narrativo que a sua base permitia.

15 de janeiro de 2009

O MAIOR PECADO DE... David Fincher

ESPECIAL DAVID FINCHER
SOBERBA. «Uma personagem como esta nunca consentiria jogar um jogo sobre o qual tivesse tão pouco controlo.» Apollo Guide

Escolher o ponto fraco da carreira de David Fincher é não só difícil como até algo manipulador. No seu breve e sólido percurso não há nenhum mau filme, há apenas dois ou três cuja força não é de obra-prima, mas também não embaraçam ninguém.

Deste lote de obras menos especiais, nos quais se aproximam levemente «Alien 3 - A Desforra» ou «Sala de Pânico», cabe a O JOGO o lugar menos meritório devido justamente a um problema de manipulação.

Se se atender à crítica destacada logo no início deste texto percebe-se que o filme se espalha logo na premissa de levar um empresário inteligente e controlador a ser vítima de um jogo de efeitos perversos. Pois bem: o jogo é apresentado a martelo, vivido pela personagem de forma meramente artificiosa e a sucessão de peripécias não colam dada a desenvoltura moral da figura vivida por um enérgico Michael Douglas.

Não é no efeito de tensão que O JOGO não consegue dar a volta. Esta está muito bem elaborada e a dinâmica da acção deve muito a Kafka e às suas encruzilhadas dramáticas. Porém, as personagens não têm profundidade, Sean Penn é uma mera sombra de uma personagem e nada soa a sério. Tudo bem, não passa de um jogo. Mas o problema é que o próprio filme falha no esforço de querer manter o espectador na dúvida. Na dúvida não quanto ao sentido da história, mas na dúvida quanto à verosimilhança das situações, das figuras, dos diálogos.

Soa a filme que quer ser a última sensação. Mas que está também a meio caminho do embuste. Algo que lhe dá um tom descomplexado e até um certo estilo. Mas a excessiva duração evidencia as lacunas.

Críticas de fugir:
- DECENT FILMS GUIDE: É um filme negro. Demasiado negro. Uma das primeiras falhas do filme está na personagem de Michael Douglas: não é credível.

- GLOBE AND MAIL: As regras? O objectivo? Não sabe a personagem nem nós - inicialmente essa ignorância partilhada até consegue gerar alguma curiosidade.

16 de novembro de 2008

O MAIOR PECADO DE... Oliver Stone







SOBERBA.
«'Alexandre' é tão ridículo, que se torna difícil de saber por onde começar a listar as suas infelicidades.» MTV

A propósito da estreia recente de «W», é bom recordar os méritos de Oliver Stone como realizador. É provavelmente um dos cineastas vivos mais interessantes e talentosos, não só pela temática densa dos seus filmes, como também pela argúcia que manifesta na construção de planos, no seu agenciamento, e no olhar magnético que detém em função do poder da imagem.

Mas, também na sua carreira memorável (não esquecer os excelentes e já clássicos «Platoon - Os Bravos do Pelotão», «Salvador», «Nascido a 4 de Julho», «JFK» e até, à sua maneira, «World Trade Center») há um ou outro passo em falso.

O maior de todos? ALEXANDRE, um épico desmesurado, em que Oliver Stone não conseguiu desprender-se da sua escala e estampou-se numa má escolha de elenco, cenas penosamente longas, adereços que ridicularizam as personagens (a cabeleira de Colin Farrell foi comparada à de Doris Day...), diálogos minimalistas e ridículos e, acima de tudo, uma estrondosa falta de visão.

Ainda hoje, Oliver Stone tenta levantar-se deste desaire, até porque o investimento foi grande. E quanto mais se sobe, maior é a queda. Um realizador principiante teria ficado comprometido para sempre, mas como se trata de um dos grandes cineastas norte-americanos, a coisa até tende a ser esquecida.

A história? Relatar os feitos épicos de Alexandre, o Grande, que dominou grande parte do mundo conhecido, conquistando milhares de quilómetros e dominando territórios em menos de um década.

Tudo começa a lembrar Orson Welles em «Citizen Kane», por termos uma morte que nos leva a querer saber como foi a vida que ficou para trás. Mas os vícios da homenagem épica estão cá todos. Depois, temos uma Angelina Jolie e um Val Kilmer «à nora» nas suas caricaturas, um penoso Anthony Hopkins e até a suposta homossexualidade do herói é tratada sem querer comprometimento e à luz de uma troca de olhares bacoca.

É certo que há vigor nas cenas de luta, que se denota um esforço na reconstituição de época e que até Colin Farrell faz de tudo para ser convincente. Mas não resulta! De todo.

O que é certo é que, a partir deste enorme flop, os grandes estúdios começaram a relativizar a força de obras como «Gladiador» e «Tróia», dois êxitos de massas, enquanto Oliver Stone procurou voltar a olhar para as fragilidades do seu país, sempre numa escala que não obnubile a sua visão de cineasta.

Críticas de Fugir:

- NEW YORK OBSERVER: Com um custo de 155 milhões de dólares, «Alexandre» qualifica-se como um super-espectáculo em todos os pontos menos em um: no seu neurótico e confuso herói.
- CINEMA EM CENA: Oliver Stone revela uma decepcionante tendência para o melodrama.
- FILM EXPERIENCE: Apesar de alguns rasgos de imaginário vivio e carisma, «Alexandre» não está nem perto de ser «grande».
- BANGOR DAILY NEWS: Grande e desarranjado. Se gosta de uma enorme fatia de falta de controlo em Hollywood, pode ser que aprecie o filme.

15 de julho de 2008

O MAIOR PECADO DE... Dreamworks








PREGUIÇA.
«Não se preocupem em chamar a Guarda Costeira. Este aqui morreu na água.» BOULDER WEEKLY

Querem ver um bom filme passado debaixo de água, com emoção e história coesa? Bem, há duas hipóteses: no caso da imagem real talvez o melhor seja espreitar o clássico de Spielberg «Tubarão», no caso da animação... é melhor ver «À Procura de Nemo» outra vez.

Sempre que a Dreamworks tentou copiar as fórmulas da Pixar, estatelou-se contra a parede e perdeu em todas as comparações.

Aconteceu isso no despique dos insectos com «Antz» face a «Uma Vida de Insecto» (mesmo tendo Woody Allen a dar voz à formiga que é o centro das atenções) e, principalmente, em O GANG DOS TUBARÕES, provavelmente o trabalho mais fraco do curto historial do estúdio, surgido nos anos 90, com Spielberg a liderar as operações numa vontade férrea de concentrar as atenções.

A estratégia deu frutos: não esquecer que tanto «Beleza Americana» como «Gladiador» foram Óscares de Melhor Filme, sendo produções dispendiosas deste novo estúdio. No entanto, na animação, e com excepção de «Shrek» e das produções Aardman - «A Fuga das Galinhas» ou «Por Água Abaixo» -, foram muito poucos os trabalhos que fizeram sombra à Disney.

Não é que se tenham portado mal nas bilheteiras, mas quase nunca conseguiram articular uma boa história com um desenho apurado. Agora que o estúdio se está a tentar desprender da Paramount - há até quem fale que se pode aproximar de Bollywood, com o interesse manifestado por investidores indianos -, e que se estreou um dos mais sólidos trabalhos animados, neste caso «O Panda do Kung Fu», é altura de recordar o ponto mais fraco. E esse é, sem dúvida, «O Gang dos Tubarões», uma reunião colossal de talentos, com De Niro, Jolie, Will Smith ou o próprio Scorsese a darem vozes a figuras animadas, mas sem nenhuma chama enquanto produto audiovisual.

Construído como um sucedâneo sem fôlego de «À Procura de Nemo», o filme conta como Óscar, um modesto esfrega-línguas na lavagem automática do bairro, se torna um herói ao assumir a glória de um acto que, na verdade, não protagonizou. Para manter o segredo, faz amizade com um tubarão vegetariano, mas a mentira tem perna curta: resta-lhe procurar novamente o seu lugar no meio de uma comunidade colorida, inventiva, mas com pouca graça.

O actor Will Smith tenta ser o cerne deste conto, mas a sua personagem não tem um pingo da homegeneidade de Merlin ou Nemo e tudo cai num artificialismo menor. Até a banda sonora, que reuniu Christina Aguillera (em gritos estridentes) e a virtuosa Missy Elliott, é irritante. O resultado é facilmente esquecível.


Críticas de fugir:
- San Antonio Express News: Se houver uma sequela, é possível colocarem algumas bolhas para parecer, desta vez, que a acção se passa debaixo de água?
- ReelTalk Movie Reviews: Falta-lhe a graça e o encanto de que já estava à espera.
- Village Voice: Os realizadores deste filme não têm fé suficiente no mundo que criaram.
- Film Freak Central: Um veículo sem alma para a 'persona' de Will Smith.
- Three Movie Muffs: Com tanto talento reunido, 'O Gang dos Tubarões' deveria ter sido muito melhor do que isto.

24 de maio de 2008

O MAIOR PECADO DE... Harrison Ford







PREGUIÇA.
«Os seus movimentos parecem particularmente cansados.» TIME OUT

Já o vimos à procura da mulher em Paris, a fugir para provar que não tinha morto a mulher, a lutar com criminosos sendo ele o Presidente dos Estados Unidos, a infiltrar-se numa comunidade amish para salvar uma criança. Já o vimos como arqueólogo, médico, polícia.

Em FIREWALL, o modesto e muito fraco thriller de 2006, vemos apenas Harrison Ford a tentar copiar as fugas de outrora, num caso sério de um filme de grande orçamento que quer apenas copiar os modelos que Ford conseguiu impor como êxito no passado
.

É certo que a carreira deste actor (outrora carpinteiro de estrelas de cinema) já está impressa num lugar generoso das memórias de Hollywood, ou não fosse, a par de Will Smith ou Tom Cruise, a estrela que mais êxitos de bilheteira acumulou no currículo.

Não esquecer que, além da saga de Indiana Jones, Ford esteve presente na trilogia original de «A Guerra das Estrelas», no clássico de culto Blade Runner e em vários thrillers dinâmicos, memoráveis, como Frenético, O Fugitivo ou A Testemunha. Mas os anos começam a pesar, sendo que, com excepção da recente estreia do quarto capítulo de Indiana Jones, os filmes mais recentes de Harrison Ford são facilmente esquecíveis.

Particularmente este, que não tem uma única ideia arrojada e conta com um vilão tão caricatural que soa a falso e um próprio Ford com ar exausto, quase a arrastar-se até ao fim, já sem forças para concluir uma missão que não prende minimamente o espectador.

E que missão é esta? Desta vez na pele de um especialista de segurança de computadores, Ford trabalha num banco e só ele pode abrir os seus cofres, recorrendo a uma complexa rede de códigos de acesso e firewalls. Sim, ele torna-se alvo fácil para um criminoso que só quer o que todos querem, fortuna, e que por isso está condenado desde o início.

A família do protagonista está em risco, mas nem Virginia Madsen, na pele da mulher do protagonista, consegue ser convincente. O que fica no final? Muito orçamento desperdiçado, nenhuma chama e a conclusão de que Ford está velho para este tipo de dilemas. Será que rejuvenesceu em Indiana Jones?


Críticas de Fugir:
- TIME: Já se viu este filme dúzias de vezes.

- JOURNAL AND COURRIER: «Firewall» não oferece nada de novo e original.
- CINEMA EM CENA: O argumento atravessa a fronteira do ridículo no terceiro acto.
- CHRISTIANITY TODAY: Há um ar de desespero em «Firewall», uma percepção de que Ford precisava de fazer este filme apenas para manter o seu rosto sob o olhar do público.
- NEW YORK POST: Esteja à espera de uma série previsível de duplos sentidos, tentativas de fuga que serão assustadoramente familiares para alguém que tenha visto o recente «Reféns».

14 de março de 2008

O MAIOR PECADO DE... Tim Burton








PREGUIÇA.
«Enquanto 'Eduardo Mãos de Tesoura' não podia ter vindo de outra mente criativa, este filme poderia ter sido dirigido por um qualquer realizador de acção» in LOOKING CLOSER

Já que estamos a falar de símios, e numa altura em que «Sweeney Todd» é ainda uma boa recordação recente, nada como lembrar o ponto fraco da carreira de uma das mentes mais retorcidas e frutuosas do cinema comercial.

Que não restem interrogações: Tim Burton é um cineasta na amplitude do conceito, quer pela capacidade intrínseca em desenvolver ambientes, quer pela aproximação do cinema ao poder expressionista do imaginário fantástico, de contornos góticos, onde há sempre árvores de ramos fantasmagóricos, personagens com a palidez digna de um morto-vivo e, na melhor das hipóteses, mais um desempenho idiossincrático de Johnny Depp.

O que é certo é que 2001 foi um ano difícil para os Estados Unidos e para a carreira de Tim Burton que, na sua maré revisionista, se lembrou de ir pegar no conto futurista de Franklin J. Schaffner, o memorável «O Homem Que Veio do Futuro».

Ou melhor, o modelo da ficção-científica com neurónios, que fez todo o sentido na altura da sua estreia, em 1967, mas que ficou cristalizado no tempo - nem as suas sequelas lhe fizeram a mínima sombra... Não é que o facto de Tim Burton decidir refazer uma obra de potencial cinematográfico seja um problema. Parece até, observando «Charlie e a Fábrica dos Chocolates» ou o recente «Sweeney Todd», que quanto mais intocável é o produto original, maior é o desafio que Tim Burton se coloca a si próprio.

O que se passa é que em PLANETA DOS MACACOS há uma gigantesca ausência de marca autoral em toda a história. O filme começa já cansado
, com um protagonista pouco expressivo (Mark Wahlberg mal se distingue em relação aos restantes símios...) e até os macacos não causam o assombro do filme original. Burton requisitou Tim Roth, Helena Bonham-Carter ou Paul Giamatti para se submeterem a dolorosas horas de maquilhagem, mas nenhum deles sobressai para lá das orelhas e do focinho de macaco.

Qualquer tentativa de obter uma réstia de emoção é vã e ninguém parece querer realmente saber em que planeta está o astronauta de Wahlberg ou por que razão os símios insistem em tratar os humanos como animais.

Se, por um lado, já conhecemos a história de cor, por outro esta nova versão raramente ultrapassa a mediania de um vulgar filme de aventuras. Nem a presença bela (e quase sem palavras) de Estella Warren chega para confortar...

Quanto ao badalado final, quando chega já nós estamos perdidos entre bocejos. Macacos me mordam: ainda bem que Tim Burton não demorou a acordar deste inconsequente e caro pesadelo!


Críticas de fugir:
- CINEMA 2000: É, claramente, um Tim Burton «menor», que, mais selvajaria menos selvajaria, está demasiado preso à iconografia (até à cenografia) marcada pela versão de Franklin J. Schaffner.

- ENTERTAINMENT TODAY: «Planeta dos Macacos» tem macacos que falam, sim, mas parece que não percebeu nada do comportamento humano, comportamento primata ou o que quer que ele queira passar.

- E-FILMCRITIC.COM: Mark Wahlberg não é Charlton Heston e a Estátua da Liberdade nunca chega a fazer a sua aparição.

23 de novembro de 2007

O MAIOR PECADO DE... Arnold Schwarzenegger







SOBERBA.
«Barulhento, desinspirado e interminável.» JONATHAN ROSEMBAUM in Chigago Reader

Para os puristas da saga, o realizador Joel Schumacher veio estragar o que Tim Burton conseguiu fazer em matéria de recuperação do homem-morcego para o grande ecrã. O que é certo é que Batman demorou quase uma década a voltar ao cinema por culpa deste filme. Que é também o ponto mais baixo da carreira do actual Governador da Califórnia.

Inexpressivo e pouco versátil nos diálogos, Arnold Schwarzenegger conseguiu, mesmo assim, afirmar-se como herói de fitas de acção de respeito nas décadas de 80 e 90 por se juntar a realizadores certos, filmes escalados para toda a família. Até que... decide congelar Gotham City e surge quase irreconhecível num fato tão desproporcionado quanto ridículo.

Em BATMAN E ROBIN, Schumacher destrói qualquer tipo de subtileza na saga, abusa dos efeitos especiais e dos ruídos ensurdecedores e cria uma ausência de qualquer cumplicidade entre Batman (George Clooney a querer forçar a sua entrada no cinema comercial) e o seu ajudante (o apagado Chris O'Donnell). Mas nem os vilões (que costumam ser a parte mais interessante desta história...) convencem.

Além de Uma Thurman em transe com a sua desajustada Poison Ivy, é mesmo Schwarzenegger que sai mais a perder.


Uma prova de que o seu talento não é proporcional aos seus músculos e que está dependente de uma boa direcção. Aqui não aconteceu de todo! E Mr. Freeze é capaz de ser o mais imperfeito, caricatural e insensível vilão de um filme que parte de uma banda-desenhada. Até as personagens de desenhos animados de segunda têm mais espessura. De enregelar os ossos!

CRÍTICAS DE FUGIR:
- INTERNET REVIEWS: Insulta a inteligência dos espectadores com interpretações sem vida e um argumento estafado.
- JAM! MOVIES: Os fãs da saga vão ficar estarrecidos!
- FILMCRITIC.COM: É tão mau quanto se está à espera.
- NASHVILLES: As falas de uma linha de Mr. Freeze traem a falta de confiança de Schumacher na fonte original e mostram a sua insistência nos «clichés» de Hollywood.
- SBS.IS: Warner Brothers, «we have a problem»!

13 de outubro de 2007

O MAIOR PECADO DE... Matt Damon







PREGUIÇA.
«Zzzzzzz» in INTERNET REVIEWS

Já toda a gente sabe que Matt Damon é considerado o actor mais rentável da sua geração, combinando bons sucessos de crítica, interpretações que não comprometem e uma choruda prestação nas bilheteiras.

Se a reverência é agora reforçada graças ao megalómano êxito de «Ultimato», há que não esquecer que o melhor amigo de Ben Affleck já tem um Óscar de Melhor Argumento debaixo do braço (por «O Bom Rebelde»), duas nomeações para Melhor Actor e um currículo invejável que inclui trabalhos com Scorsese, Coppola, Spielberg, Soderbergh, Gilliam, Van Sant e... Billy Bob Thornton.

Bem, na verdade, este último - mais conhecido pelo seu trabalho como actor - criou, quanto muito, uma mancha negra numa filmografia invejável, dado que são muito poucos os «tiros ao lado» na carreira de Damon (talvez incluíssemos também aqui «Agarrado a Ti», dos irmãos Farrelly).

ESPÍRITO SELVAGEM quer ser um melodrama mas é demasiado enjoativo, quer ser western mas causa demasiados bocejos de monotonia, quer romantismo mas não existe a mínima química entre Damon e uma atabalhoada Penélope Cruz, ainda às voltas com um inglês macarrónico
.

Estreado em 2002, o filme passou tão despercebido que rapidamente se eclipsou porque, na verdade, tem muito pouco para contar. Passou directamente para o circuito DVD e não deixou saudades.

Afinal o que falha aqui? A fotografia é boa, Billy Bob Thornton vê-se que sabe o que são bons ângulos e escolheu os actores a dedo. No entanto, a história de John Grady Cole (um soturno Matt Damon, em registo de cowboy «pãozinho sem sal»), que deixa o Texas e dirige-se para o outro lado da fronteira em busca de aventura e se apaixona pela bela filha de um latifundiário mexicano tem muito pouco para surpreender.

E o pior de tudo é o ritmo: longo e dengoso, à maneira do pior preconceito em relação aos maus filmes europeus. A sorte de Matt Damon é que logo a seguir a este melodrama xaroposo, Soderbergh requisitou-o para se juntar à equipa de «Ocean's 11». E o nível regressou em pleno!
Críticas de fugir:
- JAM! MOVIES: O filme nunca encontra o seu ritmo.
- BOSTON GLOBE: Um caso de bonitas imagens que nem de perto se aproximam da profundidade do livro em que se baseia.
- FILCRITIC.COM: «Espírito Selvagem» lembra-me um mau comediante a contar uma piada.
- ATALANTA JOURNAL: A química entre Cruz e Damon dificilmente aqueceria uma lata de feijões.

30 de setembro de 2007

O MAIOR PECADO DE... Julie Delpy








PREGUIÇA
.
«A acção é preguiçosa e previsível, e os lobisomens digitais parecem terrivelmente pirosos.» CHRISTOPHER Null in Filmcritic.com

Se há algo que define a carreira de Julie Delpy é a sua inconstância e o gosto por abraçar projectos marginais. Numa carreira catapultada na superior trilogia «Três Cores», dedicada a França pela mão de Krzysztof Kieslowski, foi com o díptico romântico «Antes do Amanhecer/Antes do Anoitecer» que se tornou ídolo adolescente.

Pelo meio, entrou em alguns telefilmes que hoje desdenharia certamente, juntou-se a Linklater novamente para uma curta cena no brilhante mosaico animado «Waking Life», passou brevemente pela série «E.R - Serviço de Urgência» e... fez UM LOBISOMEM AMERICANO EM PARIS.

Que dizer deste conto de terror com estrutura de filme juvenil sem neurónios, mas que quer parecer uma louca jornada europeia? Só se pode dizer mal
porque este filme não se quer levar a sério, usa e abusa dos efeitos digitais para dar vida aos lobisomens da história e não tem um pingo de sensibilidade.

O que faz Julie Delpy por aqui? Deve estar a pagar as prestações da casa, é a única explicação. A sua personagem é sumida e caricatural, a francesinha ingénua que sabe de mais da estranha epidemia de lobisomens que assolam as entranhas de Paris.

À frente do elenco está ainda o tonto Tom Everett Scott, uma daquelas jovens promessas do cinema comercial que, após este e mais alguns desaires, ficou pelo caminho...

UM LOBISOMEM AMERICANO EM PARIS foi uma tentativa de Delpy mostrar que também podia ser heroína de pseudofilmes de terror, decalcados para o público adolescente que consome tanto destas obras quanto baldes de picocas. Às tantas, o filme é tão desconexo e agitado, que roça o kitsch em algumas sequências e consome o olhar. Mas, rapidamente, o realizador Anthony Waller atira mais uma sequência mal filmada para nos dizer «Hey, não sei mesmo o que estou a fazer. Estou a gastar dinheiro, a divertir-me com banhos de sangue e... é só!»

OK, lição assimilada. Por nós, porque Delpy às vezes lá dá um passo em falso numa carreira que já experimentou de tudo (vi recentemente o filme sobrenatural «The Legend of Lucy Keyes» e... tive arrepios, não de medo mas de embaraço...). Nós mesmo assim, continuamos a gostar do seu ar de menina impetuosa. E percebemos que toda a gente tem de pagar as suas contas.

CRÍTICAS DE FUGIR:
- CINEMA EM CENA: O terror cede lugar ao pastelão.
- CHICAGO SUN-TIMES: Eis um caso de pessoas das quais não queremos saber, a fazer coisas que não entendem, num filme sem regras. Um caso de «triple play».
- THE NEW YORK TIMES: Uma comédia juvenil de terror mal interpretada e demasiado frenética na sua montagem para poder construir algum «suspense».
- USA TODAY: A animação por computador dos monstros gera todos os efeitos, menos o de meter medo.

12 de agosto de 2007

O MAIOR PECADO DE... Wim Wenders

PREGUIÇA. «Esta é uma perda secante de celulóide.» GREENWICH VILLAGE GAZETTE
Numa altura em que Wim Wenders já era a referência que ainda é hoje, eis que dá um tiro no pé de grandes dimensões. Quando todos estávamos ainda a digerir o peso musical e narrativo do belíssimo documentário sobre Cuba («Buena Vista Social Club»), eis que o cineasta de «Paris, Texas» aceita o repto de dirigir um filme escrito por Bono dos U2 e produzido por Mel Gibson (que faz uma perninha como actor, mas bem podia ter evitado mais uma mancha no seu currículo). MILLION DOLLAR HOTEL - O HOTEL foi vaiado em festivais de cinema porque é, realmente, tão pretensioso no seu estilo quanto vazio de conteúdo e estilisticamente limitado. É daqueles filmes que parece tão cool e convencido de si mesmo, que cai por terra devido ao vazio de emoção. Bono pode ter jeito para criar canções «orelhudas», mas quanto à escrita para cinema deixa a desejar... Num futuro não muito distante, várias personagens bizarras (e desinteressantes) cruzam-se num hotel manhoso de Los Angeles. Porquê? Porque sim, até porque há um filho de um famoso milionário que morre em circunstâncias misteriosas. O caso policial passa para trás das costas e Wenders prefere seguir a relação sem um pingo de autenticidade entre uma Milla Jovovich desajustada e o tonto criado por Jeremy Davies (a roçar o insuportável). Chega de mau gosto? Não, há ainda uma simulação de um suicídio em câmara lenta para mais tarde não recordar. O que vale é que já ninguém se lembra deste filme. Só das duas penosas horas que dura.

CRÍTICAS DE FUGIR
- DIÁRIO DE NOTÍCIAS: Talvez quando Wim Wenders passar de moda volte a fazer bons filmes.
- TORONTO STAR: Se querem ver um bom filme de Wim Wenders, experimentem os anjos de «As Asas do Desejo».
- CINEMA 2000: O resultado é um embaraçoso videoclip, cujas intenções «piedosas» não faz desaparecer a sensação de que as personagens que habitam o Million Dollar Hotel são «freaks».
- CITYSEARCH: Um caso de poesia sem sentido.

26 de julho de 2007

O MAIOR PECADO DE... Anthony Hopkins

PREGUIÇA. «'Instinto' é uma manobra de marketing a tentar fazer-se passar por um filme.» ENTERTAINMENT WEEKLY
A propósito de «Ruptura», nada como rever a carreira de um dos mais importantes actores de composição do cinema americano. Sim, as atenções nasceram para Anthony Hopkins graças ao seu desenho dramático de Hannibal Lecter (que explorou até à exaustão em três filmes), mas há também espaço, na sua já longa carreira, para uma série de tiros ao lado. Em particular, no percurso mais recente. Dito, seco e directo, com excepção deste «Ruptura» e «Indian - O Grande Desafio», a carreira de Anthony Hopkins nos últimos 10 anos tem sido feita de trejeitos que já conhecemos, pose de veterano intocável e ausência de qualquer réstia de inventividade. Que ele é um senhor, já o sabemos. Que anunciou há um bom par de anos que se ia retirar do cinema, também. O que é certo é que não o fez... mas, se calhar, deveria tê-lo feito. Ou talvez, filtrar ainda mais as suas interpretações. Em INSTINTO, o artificialismo surge em cada cena e Hopkins tem um desempenho feito à medida do ideal do «grande desempenho» (mas está a milhas desse conceito, na verdade): o actor é, aqui, um cientista que prefere viver entre os animais por já não se vincular com as imposições sociológicas. E defronta um psiquiatra (medíocre Cuba Gooding Junior) numa tentativa de reabilitação. E não é que ela aparece mesmo ao fim de uma série de lugares-comuns, acção de pacotilha, intriga brejeira e uma realização demasiado «by the book» de Jon Turteltaub? O que fica no final? Um imenso vazio e um papel que não chega aos calcanhares do prestígio do actor.

CRÍTICAS DE FUGIR:
- DIÁRIO DE NOTÍCIAS: O pior do «rousseauismo» pomposamente actualizado com tontices «new age» sobre a «bondade natural» do ser humano.
- FILMCRITIC.COM: Filme muito previsível e cansativo.
- SAN FRANCISCO EXAMINER: Um moribundo, ruidoso exercício de filme de prisão.
- CHICAGO SUN-TIMES: Se existe algo pior do que um filme criado a partir de bocados de maus argumentos, é um filme feito de bocados de bons argumentos.

2 de julho de 2007

O MAIOR PECADO DE... Bruce Willis

PREGUIÇA. «Numa escala de 1 a 10 de má comédia, esta classifica-se no 11.» BOB STRAUSS, Los Angeles Daily News

Sim, a carreira dele tem obras-primas como O SEXTO SENTIDO ou PULP FICTION, filmes de acção estrondosos como a saga DIE HARD ou O QUINTO ELEMENTO. E depois... tem filmes destes! Ou melhor, nenhum tão fraquinho quanto esta sequela de 2004, de uma comédia que não era assim tão engraçada (e que só justificou sequela porque, inesperadamente, amealhou uns dólares a mais). Em FALSAS APARÊNCIAS 2 não há grande história - para não dizer que não há história nenhuma! - e Willis é aqui um esboço para uma caricatura de um gangster que quer ter piada, mas que... não tem piada nenhuma. Oz (Matthew Perry) volta a ser o dentista que, desesperado, consulta Jimmuy (Willis), o mafioso que vive pacificamente porque toda a gente pensa que morreu, porque a sua namorada (Natasha Hesntridge) foi raptada pela máfia húngara... Sim, um argumento sem piada que apenas dá azo a gags medíocres, acção descompensada e um Willis penoso a arrastar-se até ao fim. Felizmente, o filme recebeu críticas tão más e receitas de bilheteira tão fraquinhas, que não há o risco de voltar a haver novo capítulo para encerrar uma potencial trilogia. Apesar das falsas aparências que Hollywood gosta de contrariar...


Críticas de fugir...
- WAFFLEMOVIES.COM: 'Falsas Aparências 2' falha em tantos aspectos que até é difícil saber por onde começar.
- DALLAS MORNING NEWS: Um exercício de humilhação para todos os envolvidos.
- CHICAGO TRIBUNE: Embora ligeiramente mais bem escrito e realizado do que o primeiro, este filme é grande e vazio, cheio de maneirismos de estrelas, energia artificial e piadas que simplesmente não funcionam.

24 de junho de 2007

O MAIOR PECADO DE... Robert Rodriguez

PREGUIÇA. «Fica demonstrado que muito poucos estão imunes ao efeito corrosivo que a tecnologia exerce sobre a história, as personagens e o seu sentido.» WALTER SHAW, «Film Freak Central»

Toda a gente conhece o início impressionante da carreira de Rodriguez como realizador: juntou uns trocos, depois de aceitar ser cobaia para um novo medicamento em estudo, e com os meios mais amadores criou o mítico EL MARIACHI. Com uma valorizável dinâmica, sopro latino e muitas ideias para o novo cinema de acção. Hollywood resgatou-o e, ao aproximar-se de gente tão transgressora quanto Quentin Tarantino, criou o seu próprio nome no cinema comercial. A propósito da estreia para breve de GRINDHOUSE, a meias com Tarantino é altura de recuperar o seu ponto fraco. E aí, não há duvidas: SPY KIDS 3 é mesmo o mais bizarro pela combinação de efeitos especiais a três dimensões com mais um gasto capítulo de uma família de heróis, liderada por dois irmãos que se julgam muito espertos. Mas que são meras caricaturas. E aqui nada bate certo: Banderas é mais canastrão do que o costume, a animação 3D é excessiva e desproporcionada e, depois, há um vilão absurdo: Sylvester Stallone em dose tripla. Se o primeiro capítulo desta trilogia era arrojado, o segundo foi só tolerável e humoristicamente satírico. Já o terceiro... uma imensa desilusão. Em boa hora Rodriguez descobriu o potencial de SIN CITY. Aí sim, a erupção visual faz sentido!

CRÍTICAS DE FUGIR:
- Toronto Star: Rodriguez extravasou as suas habilidades com este filme.
- Reel.com: «Game Over.»
- Boulder Weekly: Um perdedor em toda a linha... Se Stallone já era mau por si, Rodriguez oferece-nos três!
- Chicago Tribune: Enquanto os aspectos visuais ganharam peso, a história perdeu-o de todo.

16 de junho de 2007

O MAIOR PECADO DE... Johnny Depp

PREGUIÇA. «Peço-lhe para não ver esta obra para tentar que Hollywood deixe de fazer filmes como este.» MATT LAWRENCE, «Filmcritic.com»

Depois de ter alertado para o facto de JOHNNY DEPP já surpreender pouco no derradeiro capítulo de OS PIRATAS DAS CARAÍBAS, decidi resgatar uma secção criada há algum tempo cujo propósito é, exactamente, expor os «telhados de vidro» de actores e realizadores que muitos julgam intocáveis. E Depp é, sem dúvida, um dos mais promissores actores da sua geração que, ao aliar-se a realizadores como Tim Burton, raramente dá um tiro ao lado na carreira, feita de obras díspares mas onde o actor (que, para os mais esquecidos, se estreou na mítica série juvenil RUA JUMP 21) se esforça por criar uma composição sólida longe dos vedetismos de estrela - a sua reinvenção da imagem do pirata na célebre trilogia da Disney prova que o actor gosta de arriscar. Mas... já foi longe de mais! Exemplo mais palpável (há outras obras fraquinhas no seu currículo como UM HOMEM CHORA ou A NONA PORTA)? Um absurdo drama intimista em que uma mulher (Charlize Theron) suspeita que o marido pode ter sido dominado por um espírito alienígena ?! Sim, A MULHER DO ASTRONAUTA, obra de 1999, tem uma premissa tão absurda, quanto um desempenho de Depp sem a mínima chama, de olhar austero mas nem um pingo de veracidade. A expressiva Charlize lá se safa com cenas sucessivas de um desempenho tétrico, mas acima do que a premissa fraquinha do filme exigia. Depois, há pior para lá dos actores: uma fotografia cinzenta, sustos formatados e uma gigantesca incompetência do realizador Rand Ravich (tão desconhecido, que perdeu aqui uma oportunidade para se impor...). Nem se percebe o que Joe Morton lá faz como secundário. Enfim... Ninguém está livre de um fiasco. Mas Depp não tem de se preocupar com ele. Até ajuda a aumentar a mística em seu torno.

CRÍTICAS DE FUGIR:
- THE NEW YORK TIMES: «A Mulher do Astronauta» é ridiculamente derivativo!
- SAN FRANCISCO EXAMINER: Paguei para este filme, você não precisa de o fazer.
- SEATTLE TIMES: Os protagonistas mereciam estar numa produção melhor.
- TORONTO STAR: No espaço, ninguém é capaz de te ouvir... a ressonar.
- USA TODAY: «Houston we have a problem: é "A Mulher do Astronauta".»

5 de maio de 2007

O MAIOR PECADO DE... Jeremy Irons

PREGUIÇA. «Esta interpretação vai perseguir Irons para o resto da sua carreira ou gerar o seu fim abrupto.» LOUIS HOBSON, JAMES! MOVIES
A propósito da sua participação no filme INLAND EMPIRE, de David Lynch, como o realizador que dirige a personagem de Laura Dern para uma produção «amaldiçoada», senti saudades deste actor... Ou melhor de o ver num filme coeso, maduro, como aliás o actor já nos proporcionou em diversos momentos da sua carreira. Há uns tempos, veio a público dizer que estava cansado de ouvir a sua mãe queixar-se de não se sentir confortável de ir ao cinema com as amigas para ver a última obra do filho - talvez estivesse a referir-se a LOLITA, M. BUTTERFLY, BELEZA ROUBADA ou PAIXÕES PROIBIDAS, desempenhos maiores, mas marcados por uma dose de paixão carnal e nudez dramática. Isso não deveria implicar a sua participação numa das mais confrangedoras produções de cinema fantástico em que o actor experimenta um medíocre desempenho de vilão. MASMORRAS E DRAGÕES, estreado no ano 2000, é baseado num célebre videojogo, mas a história adaptada ao grande ecrã é de tal maneira pobre e caricatural que lembra um mau episódio da série juvenil POWER RANGERS. Aqui, é Profion, autoridade de uma nação marcada pela presença de dragões... De meter medo! Neste Natal, voltou ao género em ERAGON, mas nunca com tão fracos resultados.

Críticas de fugir...
-VARIETY: Um episódio de «Xena» ou de «Hércules» demonstra mais interesse visual do que isto.
- RADIOFREE ENTERTAINMENT: Perde muito tempo a imitar o jogo de computador em vez de contar uma história.
-FILMCRITIC.COM: Os fãs do jogo original vão ficar desapontados por verem o mundo, que tão bem conhecem, travestido.

8 de abril de 2007

O MAIOR PECADO DE... Rowan Atkinson

PREGUIÇA. «Esta adaptação de 'SCOOBY DOO' para o grande ecrã tornam os tontos desenhos animados originais parecerem interessantes quando comparados.» BOXOFFICE MAGAZINE Nome ímpar da britcom televisiva -antes de Mr. Bean deu nas vistas no satírico retrato de Blackadder-, Rowan Atkinson tem tido melhores resultados artísticos no pequeno ecrã do que nas suas investidas no cinema. Embora com participações modestas em comédias maiores como QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL, o actor inglês não foi muito feliz na primeira adaptação de Mr. Bean para o cinema, mas nunca deu um tiro no pé maior do que a adaptação da série de desenhos animados SCOOBY DOO para o grande ecrã. As personagens são caricaturas ainda mais básicas do que as figuras animadas, o cão é recriado digitalmente, os actores são medíocres e o humor nunca chega a bom porto. Como pseudo-vilão de serviço, Rowan Atkinson é apenas um esboço para uma hipótese de humor que nem as crianças acham graça pelos traços exagerados da sua personagem que se pretende dúplice, mas que se percebe de ginjeira desde o início as suas motivações... A série original até que cumpre os seus objectivos de lazer para menores de 12 anos, mas este filme (que, pior, teve direito já a uma sequela) não tem graça nenhuma e apenas serviu para Atkinson, aqui na pele de Emile Mondavarious, ganhar uns trocos enquanto fez uma pausas no seu Mr. Bean. O que vale é que já ninguém se lembra dele nesta fita de 2002. E o próprio Atkinson deve querer esquecer o projecto antes que se faça tarde...

Críticas de fugir...
-MOVIE EMPORIUM: Às vezes, as memórias do passado devem ficar por lá. Este filme é uma boa prova disso.
- EFILMCRITIC.COM: Deveria chamar-se «Jar-Jar Binks - o Filme». Sim, é mesmo assim tão mau.
- THE NEWYORK POST: Esta adaptação da inócua série animada dos anos 70 torna a versão cinematográfica de «Josie and the Pussycats» parecer sofisticada.

30 de março de 2007

O MAIOR PECADO DE... Roberto Benigni

GULA. «Se viu esta versão de PINÓQUIO de Benigni num parque público, o melhor era ter fugido com as suas crianças e chamado a polícia.» Steve Rhodes, «Internet Reviews»
Aproveitando o facto de ter visto há pouco O CAIMÃO, de Nanni Moretti, decidi introduzir pequenas novidades gráficas e temáticas no SIN CINEMA... Sinal de que o site se vai autonomizando a partir da sua fórmula de origem, o que permite também assentar ideias e melhorar conceitos. E, por isso, tendo em conta que este espaço aglutina cinema com pecado, tinha de se elevar o sentido de pecado à sua dimensão mais negra e corrosiva. Nem sempre se pode fazer elogios e... não há carreira mais movediça do que a da representação ou direcção cinematográfica! Por isso, criei este novo espaço, o dos «ódios de estimação» onde vou procurar escolher o ponto mais fraco de carreiras prestigiadas, mostrando até que ponto tal e determinada figura se esbarrou naquele projecto que, certamente, não se orgulha de ter no currículo. E, já que estamos em maré de cinema italiano, a primeira vítima é ROBERTO BENIGNI na fantasia excessiva, quanto desproporcionada e ridícula que é... PINÓQUIO. Nesta adaptação estapafúrdia do romance imortal de Carlo Collodi, que o próprio Benigni admitiu ser «um projecto de vida», Benigni não só se estampou na realização, como ao aceitar interpretar o menino de madeira que quer ser humano (!!!!). Tiro ao lado, excesso de gula motivado pela glória de A VIDA É BELA e que resultou numa fábula desconexa e um furo grande nas bilheteiras. Realizado em 2002, PINÓQUIO teve duas consequências imediatas: o enjoo do «overact» de Benigni galardoado com o Razzie de Melhor Actor nesse ano e a necessidade de voltar, no seu projecto seguinte, ao lugar seguro do melodrama, que fez em O TIGRE E A NEVE. Benigni pode ter sido cómico no relato trágico de A VIDA É BELA. Mas não precisava de cair na figura de palhaço disforme como o fez nesta adaptação de efeitos especiais desmesurados e nenhuma dose de simplicidade. A baleia... pariu um ratinho cinematográfico!

Críticas de fugir...
- SAN FRANCISCO CHRONICLE: O que dizer de um actor de 50 anos careca a fazer de um menino inocente?
- NEW YORK TIMES: O filme é tão mau que entra rapidamente no panteão da vergonha onde estão BATTLEFIELD EARTH ou SHOWGIRLS.
- HOLLYWOOD REPORTER: Enquanto Benigni (que protagoniza e co-dirige) parece estar a divertir-se, deve ser o único a senti-lo ao longo de todo o filme.