
Sempre tive interesse por galas de prémios de cinema. Gosto tanto de apostar nos vencedores dos Óscares, Palma d'Ouro, Urso de Ouro ou Globos de Ouro como há quem o faça nas corridas de cavalos. É certo que os melhores filmes raramente arrecadam os melhores prémios, mas também é certo que há sempre vontade em ir ver ao cinema a última Palma d'Ouro de Cannes ou aquele filme que venceu a categoria de Óscar de Melhor Argumento Adaptado.
Ter prémios é sinal de prestígio, atenção mediática e projecção... e é por isso que O ESTRANHO CASO DE BENJAMIN BUTTON apesar de todos os aplausos recebeu o seu primeiro grande revés no passado domingo, desiludindo ao não ganhar nenhum Globo de Ouro.
O valor do filme transcende tudo isso, a carreira de David Fincher sai impoluta, mas já era bom ver a Academia premiar um dos mais importantes e sólidos novos cineastas da sua geração. Esta é a primeira e prematura conclusão, até porque não vi ainda quase nenhuma das obras protagonistas desta noite. Em particular «Slumdog Millionaire», o grande vencedor da noite ao ganhar Melhor Filme Drama, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original e Melhor Banda Sonora... basicamente todos os grandes prémios para os quais estava indigitado. Mas tenho enorme curiosidade até pelo tom assente num olhar globalizante, descomplexado e próximo de... Bollywood.
No fundo, será que é desta que Hollywood vai premiar aquele filme cómico contra-corrente, artisticamente mais desempoeirado do que os concorrentes? É que «Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos» ou «Juno» tinham méritos para o conseguir. Se assim for, só a frescura dessa decisão será mais valiosa do que vermos a Academia completamente rendida a David Fincher. O seu tempo chegará...
O que é certo é que os Globos de Ouro revelaram-se dinâmicos e com vontade de arriscar, seja pela justíssima opção por Kate Winslet (provavelmente a mais talentosa actriz da sua geração), Heath Ledger ou «A Valsa com Bashir» para Melhor Filme Estrangeiro.
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